Talvez aquela tenha sido a melhor manhã de todas, o tipo de coisa que vale uma vida e não percebemos. O céu cinza falava pouco, a chuva rala dava boas vindas ao que não merecia memória.
Falava um pouco do passado, um pouco do cinza, um muito de nada; e o dia seguinte terminava a paixão que adiantou o relógio, largava sem cerimônia o interesse pelo sol ainda inacabado.
Um épico abandonado pelo sono de quem muito comemorou, momento sublime pra quem pouco disse e antecipou as paredes. Manhã que traduzia o ponto de partida e cuidava de quem ficou só por tempo demais.
O tipo de manhã que me convenceria a fazer as pazes com Deus, alegria sem entusiasmo trazida pelo silêncio do frio. Talvez aquela tenha sido a manhã mais linda.
Nenhuma saudade elimina a memória, fica lá, latente, até que em alguma noite de bebedeira somos vencidos pela distância. Manhã proposital com gosto de despedida, que traz consigo bem mais que alguns cigarros e bebidas.
Manhã chuvosa, amor mútuo sem claridade de cortinas. Talvez tenha sido, mesmo, a manhã mais linda de todas.

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